Yankees, go home! Uma falha da Folha
Que falta faz uma revisão e o compromisso com o leitor
Hábito que tenho desde adolescente, sempre gostei de ler os jornais impressos. Naquela época lia os jornais que meu pai comprava, não tinha muita escolha, então era a Folha da Tarde (FT) e o Notícias Populares (NP). Diariamente eles estavam na mesa ao meu alcance.
Assim conheci tanto o ambiente do mundo cão, proporcionado pelo NP, como o jornalismo leve e sem muito aprofundamento da Folha da Tarde. Anos mais tarde convenci meu pai a trocar a FT pela Folha de S.Paulo e gostei muito da mudança.
Quando comecei a trabalhar, aos 18 anos, passei a assinar o Estadão e, desde então, mantenho esse jornal e a Folha na minha leitura diária, habito que se estende por 32 anos a fio.
Claro, o jornal de papel não recebo mais. Há anos mudei minha assinatura para o digital, mas está lá todas as manhã a edição diária na tela do meu iPad.
Ler o impresso, ainda que no digital, é uma processo que remete aos tempos do analógico, do papel jornal. Em uma era em que notícias do outro lado do mundo chegam na sua tela minutos depois do ocorrido, ler a edição diária logo cedo é certeza de que algumas coisas quentes ficarão de fora, pois esta edição já fechou.
Mesmo assim, gosto do hábito e não pretendo mudar enquanto for possível. Mantenho inclusive o hábito de recortes do que me interessa e guardo para a posteridade. Se antes era com a tesoura, agora é o print:
E foi na hora da leitura diária da Folha de S.Paulo desta manhã de quinta-feira, 29 de janeiro, que achei que tive um déjà vu. Ao ler a coluna de Maurício Stycer no caderno Ilustrada pensei comigo “ué, mas eu não li isso agora pouco neste jornal?”.
Foi ai que decidi voltar para o caderno Cotidiano (que há tempos virou um caderno chapa branca da Prefeitura de São Paulo e está morrendo lenta e dolorosamente) e constatei que não, não era um déjà vu e sim, eu tinha lido o texto naquele dia. Mas é ai que a coisa fica absurda, vejam:
Ocorreu uma folha na Folha (!) que não deveria acontecer. O mesmo texto foi publicado em dois cadernos diferentes, na mesma edição. Até ai, tudo bem, pode ter sido uma falha de comunicação entre os dois editores (o que não deveria acontecer). Mas piora: em cada caderno um colunista diferente assinou, sendo o Stycer na Ilustrada e o Sérgio Rodrigues no Cotidiano.
Agora, ficam dúvidas e que espero que a ombudsman (ombudswoman?) do jornal tenha a decência de respondê-las: O que aconteceu? Quem é o colunista de fato? Cadê a revisão? Seria o texto escrito por IA? Eram os Deuses, astronautas?
Falhas como essa, em um dos principais jornais do Brasil jamais poderiam acontecer. E se acontecer novamente, como leitor diário, estarei de olho.





Como parte interessada, esclareço que o texto é meu e foi duplicado por engano no espaço do meu amigo Mauricio Stycer. Um erro grave do jornal, que merece mesmo ser apontado e cobrado, mas claramente um erro de edição. Achei de mau gosto levantar suspeitas sobre a reputação de dois profissionais ao mesmo tempo. No dia em que a IA for capaz de escrever um texto assim, estaremos todos desempregados.
Que triste e pálida sombra do que era esse jornal…