A crônica da casa da Rua 22 de Março
Uma divertida e apreensiva história que ocorreu comigo nessa casa, no já distante ano de 1988, para vocês se divertirem.
Quando a gente é criança ou adolescente, exceto se você for desses criados em apartamento que jamais saem do prédio para se divertir, a rua é onde você brinca, anda de bicicleta, paquera, etc. E eu fiz muito disso até meus 17 anos no bairro de Vila Granada onde moravam meus avós paternos (clique aqui). Era lá que eu tinha meus amigos e brincávamos.
E nessa vila tinha uma casa que existe até hoje onde tem uma história muita divertida que vou contar para vocês.
Sempre que eu e meus amigos jogávamos bola em frente essa casa, na rua 22 de março, uma senhora muito brava ficava de olho na janela (aquela da ponta direita). Se a bola caísse ai dentro a possibilidade de tê-la de volta era muito remota. Afinal muitos dos meus amigos morriam de medo da senhora que morava ai, dizendo que a casa era mal assombrada e a idosa, uma bruxa. E ela não colaborava, dizendo que furaria a bola.
Certo dia meu amigo Leandro (que infelizmente morreu cedo, num acidente automotivo), chutou a bola forte demais e ela caiu no quintal desta casa. A moradora não ouviu, era só abrir o portão e pegar. Mas quem tinha coragem? Ninguém.
Foi ai que eu falei “Eu vou” abri o portão que vocês veem na foto e fui pegar a bola no jardim. Até ai tudo tranquilo, mas o portão estava meio enferrujado naquela época e fez barulho. Assim que eu peguei a bola e virei a senhora que morava ali estava diante de mim, me encarando.
Meus amigos, malandros que eram, já haviam desaparecido e fiquei eu lá sozinho. Seria eu transformando em ingrediente de caldeirão de bruxa? Gelei! Mas nada disso me aconteceu, a velha era malvada só nas nossas cabeças.


Ela me deu uma bronca, claro, afinal eu entrei na casa dela sem autorização. Mas deixou eu pegar a bola e me explicou porque não gostava de brincadeiras na sua porta. A roseira que tinha no jardim (e existe até hoje) podia ser acertada e quebrar, e ela tinha muito carinho por ela. Eu entendi perfeitamente, me desculpe e sai da casa dela (com a bola, claro).
Ao voltar para a minha rua que era a de cima à dessa residência, meus amigos Leandro, Luciano e Eduardo estavam incrédulos com o meu regresso. Achavam que ela ia fazer picadinho de mim, o que não ocorreu.
Expliquei a eles a nossa conversa, fizemos uns gracejos sobre a “bruxa” que afinal não era tão malvada assim e decidimos não jogar mais bola na porta dela. A senhora da casa “mal assombrada” conseguiu o tão desejado sossego e segurança para sua roseira fácil, fácil. Sem feitiços, sem chamar polícia. Apenas na conversa.
Essa semana, coincidentemente, passei em frente a esta casa. E lembrei desta história que contei aqui para vocês. A velha senhora daquela época com certeza já morreu, pois era contemporânea da minha avó. Mas a residência segue impecável e bela, tal qual era no já distante ano de 1988. Saudades daqueles tempos.
E você, lembra de alguma história de infância ou adolescência parecida com a minha? Conte nos comentários!


